Itaúna carrega um apelido que resume boa parte de sua história econômica: é uma das cidades que formam o principal polo de fundição de ferro e aço do país, ao lado de vizinhas como Divinópolis e Cláudio. Mas a economia da cidade vai além das indústrias — soma comércio de bairro, serviço público, tecelagem e um mercado de trabalho que, nos números, mostra tanto crescimento quanto desigualdade.
O tamanho da economia
O PIB per capita de Itaúna está em R$ 53,8 mil, valor superior à média do estado de Minas Gerais (R$ 40,1 mil) e também acima da média da região de Divinópolis (R$ 40,6 mil). Na comparação direta com outros municípios mineiros, Itaúna ocupa a posição 127 entre 853 cidades do estado — um lugar confortável na metade de cima do ranking.
O crescimento recente também chama atenção: nos últimos dez anos, o nível de atividade econômica da cidade cresceu 206,8% em termos nominais, e só nos últimos cinco anos esse avanço foi de 94,1%. É um ritmo puxado tanto pela indústria quanto pela expansão do próprio município, que teve sua população crescendo 47,1% nas últimas três décadas.
Quem trabalha e onde trabalha
Itaúna soma 30,7 mil empregos com carteira assinada. As três atividades que mais empregam na cidade são:
- Administração pública — 2.393 postos de trabalho
- Fundição de ferro e aço — 1.845 postos, reflexo direto da vocação industrial da cidade
- Tecelagem de fios de algodão — 1.198 postos
Entre as ocupações individuais mais comuns aparecem funções ligadas ao comércio e a serviços administrativos: auxiliar de escritório, vendedor de comércio varejista e faxineiro figuram entre as profissões com mais trabalhadores registrados — um sinal de que, apesar da força da indústria, o comércio local e o setor de serviços empregam uma fatia relevante da população.
Comércio: pulso da economia local
O comércio de Itaúna funciona como o termômetro do dia a dia da cidade — do pequeno mercado de bairro às lojas do centro. A presença forte da ocupação “vendedor de comércio varejista” entre as mais numerosas do município confirma esse peso: é um setor que, mesmo sem concentrar a maior fatia do PIB, é responsável por parte considerável da geração de empregos formais na cidade.
Uma renda que ainda é desigual
Nem todo o crescimento chega de forma equilibrada a todos os itaunenses. Os dados de composição de renda mostram que as faixas de menor poder aquisitivo (classes D e E) respondem por 54,6% do total de remunerações pagas na cidade — uma concentração 8,7 pontos percentuais maior que a média do estado. Já as classes de renda mais alta participam com apenas 15,8% do total de remunerações, ficando 9,3 pontos percentuais abaixo da média estadual.
Na prática, isso indica uma cidade em que a renda está mais concentrada nas faixas de baixa e média remuneração do que na média de Minas Gerais — um dado importante para quem pensa políticas públicas de geração de emprego e distribuição de renda no município.
O que esperar daqui para frente
Itaúna reúne hoje os ingredientes de uma economia em expansão: crescimento acima da média estadual, um polo industrial consolidado na fundição e um comércio que segue gerando empregos. O desafio segue sendo transformar esse crescimento em ganhos mais distribuídos entre as diferentes faixas de renda da população — algo que o Itaunense pretende acompanhar de perto, cobrando dados atualizados e ouvindo quem movimenta o comércio e a indústria da cidade todos os dias.
Este artigo utiliza dados públicos do IBGE (PIB dos Municípios e Cidades@) e da Caravela/RAIS-MTE sobre emprego formal e composição de renda em Itaúna. Números podem ser atualizados periodicamente pelos órgãos oficiais



