Itaúna sustenta hoje uma rede de ensino que vai muito além da sala de aula tradicional. Entre escolas municipais, estaduais, particulares e instituições de formação técnica e superior, a cidade concentra dezenas de unidades de ensino espalhadas pela zona urbana e rural — um retrato de uma rede em expansão, mas que ainda enfrenta desafios conhecidos de boa parte dos municípios brasileiros.
A base: educação infantil e ensino fundamental
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), atende crianças de 0 a 5 anos em nove creches — sendo cinco municipais e quatro conveniadas — além de treze escolas municipais, seis delas na zona rural, e cinco núcleos de educação infantil voltados a crianças de 4 e 5 anos.
Um dado que chama atenção: onze escolas municipais já oferecem ensino em tempo integral, um modelo que amplia a permanência do aluno na escola e é apontado por especialistas em educação como um fator importante para reduzir desigualdades de aprendizado entre estudantes de diferentes contextos socioeconômicos.
Para quem mora mais afastado do centro, a rede também mantém transporte escolar voltado a alunos da zona rural e aos atendidos pela APAE local, um serviço essencial para garantir que a distância não seja motivo de evasão escolar.
Educação de jovens e adultos
Itaúna também mantém uma porta aberta para quem não completou os estudos na idade convencional: o Centro de Estudos Supletivos de Itaúna (Cesu) oferece vagas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos ensinos fundamental e médio, permitindo que moradores retomem a trajetória escolar em qualquer fase da vida.
Do ensino técnico ao superior
A cidade não para na educação básica. Itaúna abriga uma unidade do Senai, referência em formação técnica e profissionalizante, e é sede da Universidade de Itaúna, instituição privada fundada como faculdade em 1965 e elevada à condição de universidade em 2005 — hoje uma das principais portas de acesso ao ensino superior para quem vive na região.
Somando escolas municipais, estaduais e particulares, o município reúne dezenas de instituições de ensino, formando uma rede que atende milhares de famílias todos os dias.
Como está a educação em Itaúna hoje, em números
Passando dos discursos institucionais para os indicadores, o retrato de Itaúna é misto: bom em acesso, ainda com espaço para avançar em aprendizagem.
Segundo dados do IBGE, a taxa de escolarização de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos na cidade estava em 98,87% em 2022 — ou seja, praticamente toda a população nessa faixa etária está matriculada na escola. É um número alto mesmo na comparação nacional, embora ainda deixe a cidade na metade inferior do ranking estadual, na posição 576 entre 853 municípios de Minas Gerais.
O desafio maior aparece quando o assunto é qualidade de aprendizado. Pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2023, a rede pública de Itaúna registrou nota 6,6 nos anos iniciais do ensino fundamental — resultado considerado bom, acima da média de boa parte do país. Já nos anos finais do fundamental, a nota caiu para 5,4, um recuo que reflete um padrão nacional: o desempenho escolar tende a piorar conforme os alunos avançam para os últimos anos do fundamental, fase em que o número de disciplinas e a complexidade do conteúdo aumentam.
Na prática, isso sugere que Itaúna consegue colocar (quase) todas as crianças na escola e alfabetizá-las bem nos primeiros anos — mas perde parte desse ganho ao longo do caminho, um ponto que costuma exigir atenção redobrada da gestão escolar entre o 6º e o 9º ano.



